MAIS INJUSTO QUE O JOGO DA VILA


Quero falar sobre a heroína que a muito tempo não se via. Heroína sim, embora não injetável (er). Heroína sim, embora tenha feito, aparentemente, pouco. Heroína porque incentivou milhões de pessoas ao redor do mundo a acreditarem em si mesmas. Mas deixemos de bla bla bla, todo mundo sabe quem é Susan Boyle, mas gostaria de ir além do que a TV mostra.

suz2
Nem Julio Verne teria criatividade para criar um roteiro assim: Num programa de TV cujo objetivo é revelar talentos, com um corpo de jurados que costuma ridicularizar alguns participantes (odeio o Simon Cowell), eis que surge Susan Boyle. Escocesa, 47 anos, desempregada, solteira (diz a lenda que nunca foi beijada), feia, desengonçada, acima do peso, descabelada, brega. Isso até começar a cantar, e se fazer crescer no palco, a ponto de deixar os jurados literalmente boquiabertos, a platéia de pé e os mais de 20 milhoes de internautas impressionados com sua performance.  Em minutos, Susan se torna uma celebridade mundial.
Susan escolheu interpretar “I dreamed a dream”, música melancólica composta por Claude Michel Schonberg para a personagem Fantine do musical “Os Miseráveis”, baseado na obra de Victor Hugo. A personagem, uma mãe pobre que leva uma vida dura e tem q se prostituir para criar sua filha. Num dos trechos da música, “Eu tive um sonho de que a vida poderia ser diferente deste inferno que estou vivendo”. Genial não? Digno de um Oscar. Ainda não.
A história precisa ser mais dramática. Algo além do caso Ronaldo, que todo mundo ficou emocionado com o pobrezinho.
Somemos então o fato de que durante o parto ela tenha sofrido insuficiência de oxigenação no cérebro, o que deixou algumas sequelas, e é a explicação para a dificuldade de aprendizado que ela teria nas décadas seguintes. E que durante toda sua vida tenha sonhado se tornar uma cantora profissional. Que tenha até estudado canto numa escola, mas o maior publico que tivesse fosse sempre os fiéis da igreja que frequentava, com sua mãe. Sua mãe que era também sua melhor amiga e incentivadora, e que a tenha deixado em 2007, aos 91 anos. E que depois disso, a escocesa nunca mais tenha cantado em público, até a audição do programa.
Susan sobe ao palco insegura, tímida, sem graça, mas apenas com a presença absolutamente simples conquista qualquer um com um mínimo de sensibilidade. Canta. E como canta! De forma que nenhum dos espectadores pasmos poderia imaginar. Nervosa, quase deixou o palco antes do veredito do júri. Elogiada, é aprovada por unanimidade para a proxima fase do concurso. Impressionante. Mas o mais impressionante de tudo é que é vida real!

Susan volta a se apresentar, é ovacionada, e vai para a final do concurso com, entre outros, um grupo de dança ae, um tal de “Diversity”. Nada mais óbvio que… que…

loser
ALGUEM PODE ME ESPLICAR OQ TA ACONTECENO MEU??1/?1/??

Estou acostumado a ver esse tipo de coisa no Brasil, mas isso é impensável. Britânicos tem essa ‘cultura’. Gostam de criar um grande “hype” em cima das pessoas e, depois, derruba-las ao chão. Ja dizia o próprio Piers Morgan, que faz parte do corpo de jurados. Corpo de jurados este que conta com o digníssimo Cowell (ja disse que odeio ele?) que ridicularizou publicamente uma candidata do “American Idol”. Ela cometeu suicidio em novembro do ano passado, em frente à casa da jurada Paula Abdul.

Fica na minha cabeça uma dúvida referente ao real propósito de programas como este. Susan Boyle foi quase que instantaneamente elevada a status de Popstar, teve sua casa rodeada de jornalistas que a vigiavam dia e noite, foi um fenômeno na internet, elevou consigo o nome do programa televisivo, dos jurados, dos produtores, do país, para no final ser superada por um limitado grupo de dança? Por que ela não é bonita nem gostosa?
A cantora é então internada. Não recebeu qualquer tipo de apoio psicológico profissional durante os 2 meses em que esteve em foco, o que gerou um enorme desgaste, culminando com a perda na final.

Vocês eu não sei, mas eu me senti ligeiramente ultrajado.
Até mês que vem as pessoas provavelmente nem lembrarão mais daquela pobre mulher, talvez só os britânicos quando ela lançar seu cd em parceria com Cowell (nada bobo). Que não se lembrem, tudo bem.  Mas que as pessoas não esqueçam da imagem de Susan Boyle subindo ao palco em abril. Que não esqueçam das demonstrações de humildade, inclusive na final, desejando sorte ao “Diversity”. Que não se esqueçam do quanto é ruim julgar pela aparencia. Mas, acima de tudo, que não esqueçam que as pessoas devem sonhar e acreditar, por mais utópico que pareça. Por mais que pareça “coisa de cinema”. Por mais que pareça coisa de Júlio Verne.

Que fique bem claro que o post está assinado e essa é a MINHA opinião

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    • Sanny
    • 3 de junho de 2009

    Talvez ela seja a nova Amy…eles gostam disso.

    • Pri Arcanjo
    • 3 de junho de 2009

    Britanicos que amam uma cultura…
    ok que dança de rua[ou seja la o que for] com crianças, adolescentes e até um velho de 91 anos impressionou mais do que a Susan?
    to chocada
    eles pagaram os jurados..tenho certeza

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